Já conquistamos a Copa.

Torcida-brasil-colombia-chegando-no-castelao-fortaleza-16-size-598[1]Já faz um ano desde as jornadas de junho/julho, que dentre tantas coisas como fim da corrupção, volta dos militares e impeachment, pediam também por saúde/educação padrão FIFA.

E esse discurso se seguiu “firme” no decorrer dos meses. As frases “padrão FIFA”, “imagina na Copa”, “#NãoVaiTerCopa” (sim, com sustenido) entraram no vocabulário. Outro dia meu professor de música me contou que sua filha, que tem uns 6 anos, já aderia à Copa o motivo de sua mãe reclamar do preço do pão-de-queijo “culpa da Copa mãe”, haha, crianças.

Isso reflete muito do que se passa no Brasil em relação a política. A imaturidade da população em relação ao assunto a faz agir como uma criança, que não compreende como o mundo funciona, é ludibriada acreditando em qualquer coisa, e por fim, só consegue se expressar pelo choro e esperneio.

E foi assim com a Copa.

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Nossa vergonhosa imprensa.

O Governo dormiu, não sei se por confiança, inocência, irresponsabilidade ou medo. Fato é deixou a mídia e a oposição sapatear sobre o evento. A oposição desesperada politizou a situação, alegando que o governo a politizara e pregou desde a incompetência do governo até a irrelevância do evento para a sociedade, com todo apoio da mídia.

A distorção da mídia e a direita criou as mais absurdas falácias. Ouvimos até de proibição de festa junina e pagode por parte da FIFA. A função da imprensa que deveria ser a de trazer informações para a população, trabalha arduamente no papel de contaminar a sociedade. Jamais se deram ao trabalho de consultar o governo ou pesquisar pelas informações. O Brasil está vivendo um intenso campo de batalha.

E o brasileiro caiu, não todos, mas uma boa parte. O brasileiro que ainda não aprendeu a questionar a imprensa e aceita tudo que é dito. Um dos termômetros do humor do brasileiro em relação a copa se deu especificamente no comércio verde-amarelo. Nas minhas andanças pela cidade fui comprando alguns artigos, uma bandeirinha, uma fitinha, sempre em lojas diferentes e aproveitava para questionar o vendedor como andavam as coisas. E iam mal. O comércio tinha feito a sua parte, tivemos alto índice de contratação nas empresas de confecção e as os estoques estavam abastecidos e nada de cliente. Os lojistas diziam “tá devagar, tá saindo pouco”.

Nunca fui de torcer tanto na realidade. Sempre assisti a Copa, mas jamais acompanhei ela de perto, ver como jogam os times, analisar, discutir, acompanhar as coletivas, saber como estão os nossos e os demais atletas.

Mas esse ano foi completamente diferente, foi bem uma tentativa de desintoxicar as pessoas à minha volta daquele sentimento asqueroso de que hash:NaoHaveriaCopa. Eu admito, meu sentimento pelo Brasil que eu defendo e pela ideologia que eu acredito, representada no meu partido me fez mais do que nunca torcer pela Seleção, torcer pelo nosso sucesso, torcer para que tudo transcorresse bem.

Ouvimos e nos opomos ao coro do “NãoVaiTerCopa” até o último segundo. Até que em cima da hora, quando o brasileiro notou a bobagem que estava fazendo, passou a correr às lojas atrás das suas bandeirinhas e faixas. A coisa foi tímida ainda. Muitos de nós não acreditavam que aquele mega evento que sempre víamos na TV pudesse ser realizado aqui nas nossas cidades, afinal somos incompetentes, desorganizados, atrasados e um país que nada vale.

Fiz minha parte como pude, ergui a bandeira do Brasil, guardei minhas camisetas vermelhas e tirei do armário aquela canarinho de guerra, que já está assistindo a quarta Copa do Mundo, e comprei novas também. Combati o sentimento venenoso do NãoVaiTerCopa como pude. Aqui na firma ninguém se prontificou a enfeitar nosso setor, faltando poucos dias para o evento, convenci minha chefe, fizemos nossa decoração que contagiou o prédio. Quando os demais setores viram nosso verde-amarelo eles se questionaram e trataram logo de participar também.

3c51a47aa2c67ba8828035ebb5e3bf67_L[1]Enfim, o grande dia chegou e como não podia deixar de ser, ele mexeu com o brasileiro. Como acontece a cada 4 anos, ou quando o Corinthians vai pra final do mundial de clubes, haha, o país parou pra assistir ao futebol.  Aquilo que seria o início do fiasco. O apocalipse.

Confesso que temi, e aquele gol contra me tirou o chão “Meu Deus, não…”.

A Copa do Mundo de 2014 pra mim é muito mais que uma competição. É uma afirmação da nossa capacidade como nação. Não por que o evento representa isso, jamais, mas porque nossa elite nos desafiou, por que impuseram que isso era impossível para nós.

Brasil 3×1 Croácia, ganhamos o primeiro jogo. Nesse momento a opinião começou a virar.

Passei numa loja aqui do bairro no sábado seguinte a abertura da copa (14), o lojista foi claro comigo “limparam a minha loja, acabou tudo”. Ele me dizia enquanto apontava a ausência duns chapéus e grandes bandeiras que tinha vendido, com grande sorriso, “mas é assim mesmo, é o brasileiro”, “pois é” – eu respondi.

E foi assim por todo lado. Um pessoal com que converso, que repudiou a Copa até o último momento agora está agora enchendo suas redes sociais com fotos no estádio, em bares, em casa, e sempre de verde-amarelo e cheio de sorrisos.

Essa foi a primeira vitória, a vitória da Seleção Brasileira que tem efeito imediato no ânimo do torcedor. Funciona como um analgésico, pois o pessimismo ainda existia, a desconfiança de que a tragédia estaria por vir ainda era alta. A segunda e mais importante vitória foi não é conquistada em 90 minutos. Foram necessários alguns dias até que os estrangeiros dissessem aquilo que nós dizemos há anos: O Brasil é um país Maravilhoso.

O jargão #CopaDasCopas lançado pela nossa presidente Dilma Rousseff, aquela xingada na abertura do mundial, enterrou completamente o #NaoVaiTerCopa.
Da boca dos nossos visitantes se ouve coisas como: “Nota-se claramente uma grande vontade de tornar tudo especial. Isso não aconteceu na Copa da Alemanha porque, apesar de muito educados, os alemães costumam ser frios na relação com turistas” – Daniel Sheahan, irlandês 55 anos.

E nas palavras da mídia internacional só se ouve o seguinte “A melhor Copa de todos os tempos”. E tem sido dessa forma, problemas foram apontados sim, mas também foram feitos largos elogios, até por parte das delegações.

Tamanho foi o sucesso que tivemos até nossa própria imprensa tendo que admitir, nossa organização supera a invejada Olimpíada de Londres.

Muito aconteceu e coisas ainda acontecerão até o final dessa competição. Nessa jornada a Seleção se saiu muito bem, apesar da baixa do Neymar, estamos nas Semi-Finais da competição. Mas a vitória já é certa, assim como disse nosso companheiro Lula, a Copa é mais.

“A Copa do Mundo aqui no Brasil é o encontro de civilizações  causado pelo esporte. É mais do que dinheiro, são milhares de pessoas que vem pra cá, conhecer esse país, pra comer a comida desse país, pra ver a gente desse país como eles são (…) saber como nós comemos. A copa do mundo é mais do que futebol….” (assista)

No fim, só posso agradecer a oportunidade que Lula nos deu de poder mostrar isso ao mundo e também à tantos brasileiros que não acredita no nosso próprio potencial. No jogo, só nos cabe torcer, mas a Copa, o Brasil já conquistou. Valeu.

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